Tretas e Cenas

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Onde escrevo as minhas tretas. Tão depressa estou a escrever sobre algo poético como a seguir escrevo só para não me esquecer.

Janeiro 2016
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Mi Band 1S – O que eu penso sobre a Mi Band 1S

Pedro FonsecaPedro Fonseca
Introdução

Quem compra uma Mi Band sabe que é um wearable barato e que tem uma reputação bastante boa, a sua primeira versão é em tudo tudo igual à que hoje estou a analisar mas sem a capacidade para ler batimentos cardíacos, daí esta nova versão ser também chamada de Pulse.

É aqui que a Pulse vem trazer algo de novo, consegue ler os batimentos cardíacos. Dos testes que fiz todas as leituras pareceram-me consistentes e reais mas a implementação oficial em termos de software é muito fraca e são precisos alguns truques para conseguir estender essas funcionalidades mas o resultado final é satisfatório.

Hardware

A Mi Band Pulse é constituída por um sensor e uma pulseira anti-alérgica, que por defeito é preta e julgo que só se conseguia comprar essa cor. Atrevo-me a dizer que as pulseiras da primeira versão da Mi Band servem que nem uma luva, mas não tenho a certeza.

Quem conhece a primeira versão deste produto vai perceber que pouco mudou, apenas a parte inferior do aparelho está diferente e agora mostra um leitor de batimentos cardíacos, que quando está a funcionar imite uma luz verde.

Tudo o resto é o que se vê, construído em poli-carbonato e a parte metálica superior é de alumínio com liga de magnésio, que se diz bastante resistente a riscos e amolgadelas, vamos ver se assim é com o passar do tempo. Também na parte exterior os leds são apenas brancos, a primeira versão julgo que tinham cores.

No seu interior tem uma bateria de 45mAh, comunicação bluetooth 4.0, um sensor óptico de medicação do ritmo cardíaco pelo método Fotopletismográfico e ainda é resistente à água cumprindo a norma IP67, ou seja, totalmente protegido contra poeiras mas só suporta água até um metro.

Vem ainda com um carregador em tudo igual ao anterior e um livro de instruções, onde a única coisa que se aproveita é o QrCode para download da aplicação, que mesmo assim pode ser obtida na Play Store, bastando para isso pesquisar por Mi Fit.

SOFTWARE E FUNCIONALIDADES

No que diz respeito a software e funcionalidades vou basear a análise na versão oficial que instalei via Play Store e que todos conseguem aceder, contudo vou referir uma aplicação modificada para que se perceba as capacidades que estão escondidas e desactivadas por defeito.

Após instalar a aplicação e colocar as credencias de acesso à conta Xiaomi, é pedido para emparelhar a banda. Coloquei-a no pulso direito e após o emparelhamento executado com sucesso, configurei a altura, peso e outros dados no perfil da conta. Segundo percebi estes valores são fundamentais para que o algoritmo que calcula os passos seja o mais correto possível.

Com apenas estes passos a aplicação não precisa de mais nada para funcionar, mas podemos configurar mais algumas coisas que podem ser úteis, como até três alarmes vibratórios para um determinado horário e até podemos escolher os dias em que vibra.

É possível também associar a conta Google Fit à Mi Fit e todos os registos são partilhados com a aplicação da Google, algo bastante interessante.

É ainda permitido configurar alertas vibratórias quando recebemos alguma notificação de uma aplicação no terminal, limitada a três aplicações. Podemos configurar também a Pulse a vibrar quando o terminal estiver a receber uma chamada e ainda conseguimos usa-la desbloquear o equipamento quando usada na funcionalidade Smart Lock.

Mas tudo isto são funcionalidades secundárias, como principais podemos contar com um medidor de actividade física ( através dos passos ), medir o ritmo cardíaco a pedido e não de forma automatizada e ainda medir o sono na sua plenitude. Vou começar pelo que realmente faz bem, medir o sono.

Esta funcionalidade torna-se fantástica quando a opção Sleep Assistant é activada, que basicamente liga periodicamente o sensor de ritmo cardíaco para melhorar os dados sobre nosso sono, apesar de sermos informados que irá consumir mais bateria. A minha precessão desta funcionalidade é que funciona na perfeição, acerta no tempo em que me levanto durante a noite e quando acordo está lá tudo explicado, como o resto do tempo estou a dormir, vou assumir que o que está marcado é verdadeiro.

Passando à funcionalidade de medir o ritmo cardíaco, é executada com uma simplicidade fantástica mas por vezes dá valores um pouco descabidos, que ao medir novamente dá para entender quais são os valores certos e que aquilo foi uma falha.

A única forma de registar continuamente o ritmo cardíaco é iniciar uma corrida e a Pulse registar esse ritmo nessa actividade, mas é preciso instalar uma versão que foi modificada pelo utilizador jaymeferreyra do fórum Miui Portugal, que à altura desta análise, continha um erro ao tentar ver os histórico dessas actividade o que torna todo o processo inútil. Advirto que é necessário registo e que assim que a aplicação oficial for substituída os registos do ritmo cardíaco são apagados, uma vez que estes não estão sincronizados com o perfil na Xiaomi.

Em resumo, medições são feitas a pedido e nunca é feito um registo automatizado do ritmo cardíaco ao longo do dia, provavelmente venha a existir no futuro, afinal é apenas uma limitação de software.

Passando à última funcionalidade, a de medir a actividade física, é a que funciona pior, ou melhor, não funciona de todo. Em três dias fiz mais de 10km sem nunca ter saído de casa, coisa que me parece completamente ridículo. Em principio pensei que fosse configuração da altura ou peso, cheguei até pensar que seria de ter a aplicação modificada. Fiz os testes e não é nada disso, simplesmente não funciona. Ou melhor, funciona bem demais, a qualquer movimento mais brusco com o pulso em qualquer actividade o somatório de passos começa a aumentar loucamente, até mesmo a lavar a loiça ou sacudir um tapete.

Julgo que isto vai ser corrigido em próximas versões do software e firmware, mas é um pouco irritante ver estes valores a aparecer quando a primeira versão da Mi Band funcionava muito bem. Vou aguardar por novos updates e ver se isto melhora.

BATERIA

No que diz respeito à bateria, já se passaram 30 dias desde que estou a usar a Pulse, apenas carreguei totalmente no dia em que a recebi e neste momento está a perder, em média, pouco mais de 3% por dia. Considero ser um valor bastante aceitável tendo em conta que é uma bateria de 45mAh e que o seu total carregamento é feito em pouco mais de hora e meia.

CONCLUSÃO

Como pontos negativos, o produto em si, não tem nenhum, já o pack que recebemos em casa tem o ponto negativo de o manual que vem estar em mandarim ou chinês, onde a única coisa que se percebe é um QrCode que leva à instalação da aplicação oficial.

No que diz respeito à aplicação oficial, encontro três pontos negativos: Vem apenas em inglês sem possibilidade de colocar em português, contem funcionalidades escondidas que não se tem acesso e os dados das medições do ritmo cardíaco não estão sincronizadas com a conta Xiaomi o que faz com que se percam caso se desinstale a aplicação.

Portanto, para um equipamento com um preço bastante competitivo a qualidade apresentada é fantástica, não se pode pedir por mais. Consegue fazer quase tudo bem e o que não faz não é um problema do produto em si mas do software que corre nos terminais, tornando a solução desses problemas em algo muito simples, aja vontade por parte da Xiaomi.

Se a Xiaomi não os resolver tenho a certeza que depressa a comunidade de programadores se vai encarregar de criar aplicações que vão usar a Pulse na sua plenitude.

Muito obrigado por teres lido este artigo e espero sinceramente que tenhas gostado, se tiveres alguma pergunta que queiras ver respondida, escreve nos comentários abaixo e terei todo o gosto em esclarecer.

O video

Sou licenciado em Sistemas de informação na Universidade Lusófona, gosto de tecnologia, programação, desportos radicais, bicicletas e motas. Adoro o Sistema Android e começo a gostar de Linux. E ainda tenho a mania que sei cozinhar.

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