Tretas e Cenas

Tretas e Cenas


Onde escrevo as minhas tretas. Tão depressa estou a escrever sobre algo poético como a seguir escrevo só para não me esquecer.

Janeiro 2013
S T Q Q S S D
« Dez   Mar »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Categorias


Novo alfabetismo ou manias minhas

Pedro FonsecaPedro Fonseca

Não é preciso recuar muitos anos para constatar que Portugal teve uma taxa de alfabetização muito reduzida, esse número tem vindo a aumentar e neste momento, segundo a CIA, temos 95% ( acima dos 15 anos ) da população que sabe ler e escrever. Sem querer tirar mérito a saber ler e escrever, que é realmente importante para todas a tarefas diárias, será isso suficiente na realidade que se vive nos dias de hoje?

Com a evolução das tecnologias, somos confrontados diariamente com uma novas tendências, uma nova rede social ou até um novo telefone com super-poderes mas por vezes não se tem a destreza necessária para acompanhar estas evoluções. Certo que a aptidão dos mais jovens é inata, mas à medida que a idade avança a predisposição para aprender algo completamente diferente é cada vez mais reduzida e chega-se ao ponto de criticar ou até mesmo ignorar porque se acha que são modernices sem sentido.

Acredito verdadeiramente nessa realidade e sendo uma opinião válida, estará esse tipo de atitude, colectivamente, a contribuir para a nova iliteracia massiva do século XXI?

Ora vejamos, em 10 anos, passou-se de telefones móveis que apenas faziam chamadas e enviavam alguns SMS para a massificação das redes sociais e a banalização da Internet. Quem perdeu este “comboio” e não quer aprender pode ser considerado um novo analfabeto?

Segundo alguns números que encontrei, dizem que 95% das pessoas têm conta no Facebook, mas qual será a percentagem de pessoas que realmente entende o facebook e domina todos os seus recantos? Aposto que devem ser muito poucos e, os que não dominam, são vistos pelo bicho “Internet” como alvos fáceis para recolha de informação privilegiada com total consentimento do alvo, mesmo que este desconheça.

Exemplifico: Estava na faculdade e alguém me mostrou uma página do Facebook onde uma senhora, que não devia ter mais de 40 anos, mostrava fotografias que me pareceram serem muito íntimas e que só deviam estar partilhadas para um grupo restrito de pessoas. Quando questionei se essa pessoa fazia parte do seu grupo de amigos, recebi um redondo não. Afinal senhora estava a partilhar coisas da sua vida mais íntima para toda a Internet e será que ela sabe disso? Ou será que é mais uma “analfabeta” dos novos tempos?

As pessoas não perdem tempo a ler, mesmo por muito minúscula que seja a frase, sei disso com conhecimento de causa. Num projecto que estou envolvido é dito claramente para se fazer algo, mas em texto, ninguém faz.

Tudo isto é preocupante na medida em que as pessoas não “perdem” tempo a aprender como usar as ferramentas que actualmente existem, simplesmente usam como acham que deve ser e porque o amigo usa, portanto concluem que não deve ser malicioso. A somar a isso estas tecnologias mudam rapidamente e para as acompanhar é, efectivamente, necessário uma enorme destreza mental e uma predisposição acima da média.

Mas terá a humanidade, na sua globalidade, a capacidade de aprendizagem para conseguir dar “a volta por cima”? Eu julgo que sim, mas aqui entra a vontade de querer fazer acontecer, basta que cada um de nós dê importância as novas tecnologias e assimilar que fazem parte da nossa vida, mas acima de tudo que se forem mal usadas podem prejudicar bastante.

Sou licenciado em Sistemas de informação na Universidade Lusófona, gosto de tecnologia, programação, desportos radicais, bicicletas e motas. Adoro o Sistema Android e começo a gostar de Linux. E ainda tenho a mania que sei cozinhar.

Comentários 1
  • Luis Cenicante
    Posted on

    Luis Cenicante Luis Cenicante

    Responder Autor

    Caro blogger, deparei-me com o seu blog e gostei de alguns pontos referidos
    “As pessoas não perdem tempo a ler, mesmo por muito minúscula que seja a frase, sei disso com conhecimento de causa. Num projecto que estou envolvido é dito claramente para se fazer algo, mas em texto, ninguém faz.”
    Confesso então que o meu prazer pela leitura e pelo conhecimento apenas surgiu nos ultimos meses, no entanto é com enorme prazer que me tenho redescoberto nesta faceta.
    Com isso dediquei-me ao estudo da escrita de humor tentando absorver ao máximo toda a sabedoria que podemos adquirir a nossa volta e com essa visão nova poder satirizar mais facilmente!