Tretas e Cenas

Tretas e Cenas


Onde escrevo as minhas tretas. Tão depressa estou a escrever sobre algo poético como a seguir escrevo só para não me esquecer.

Agosto 2012
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Um dia no Pena Aventura Park

Pedro FonsecaPedro Fonseca

Situado em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, o Pena Aventura Park tem diversas actividades que colocam o visitante em contacto com a natureza, conta com instalações perfeitas e um atendimento simpático onde consegue-se facilmente encontrar uma actividade que apeteça realizar.

A minha visita a este parque tinha como objectivo participar em duas actividades, Canyoning e deslizar no famoso Fantasticable, previa-se que estas duas actividades ocupassem o dia todo e que no fim o saldo fosse muito positivo.

Canyoning

Esta imagem mostra a lagoa onde se deu o primeiro salto. Imagem retirada do site nomadas.pt

Comecei pelo Canyoning logo às dez horas da manhã porque esta actividade tem uma duração prevista de seis horas no nível de intensidade Médio. Existem três níveis, o fácil, médio e díficil. O primeiro é muito fácil, o médio é puxado e o difícil só pode inscrever-se quem já tenha feito o nível médio com alguma facilidade, esta facilidade dita assim até parece simples mas eu não achei.

O equipamento necessário para esta actividade é um capacete, fato impermeável parecido ao que se usa no Surf, ténis que se possam molhar e que de preferência não escorreguem em superfícies molhadas, luvas é facultativo e é fornecido também um arnês que é usado no Rappel.

Depois de devidamente equipado e já no local onde iria começar a aventura iniciou-se caminhada de mais de uma hora e com inclinação elevada, a certo ponto estava tão cansado e decidi perguntar quanto tempo tinha passado desde que iniciámos e a resposta foi cruel, tinham passado apenas vinte minutos e, eu estava de rastos. Caminhámos por mais de uma hora com o fato impermeável vestido até à cintura e os movimentos para caminhar eram sempre limitados pela pressão que este fato exercia, nos 15 minutos finais já foi a descer mas com um grau de inclinação igualmente elevado, de tal maneira que foi pedido para descer de lado.

Um dos instrutores disse a certo ponto: “Aguardem mais uns minutos e vão poder saltar para a água muito em breve”. Era o que eu queria ouvir, estava todo suado e queria mesmo mergulhar. Ao chegar tínhamos à espera uma queda de 12m que faz parte do Rio Poio na lagoa principal que se vê na fotografia acima e onde era pedido que fosse feito um salto de pés para a água, não consegui, era demasiado alto, decidi descer um pouco mais e salta de um altura menor – uns 3 ou 4 metros. Todos os outros saltos que houve durante o percurso foram de alturas mais altas, para sítios mais estreitos e com encostas mais rochosas, só houve três pessoas que fizeram os saltos todos, sem contar com instrutores, esses até saltavam de sitios que não era suposto – malucos.

Quem não saltava fazia a descida em rappel, devo dizer que não tenho jeito nenhum para este tipo de actividade mas no fim já me estava a habituar. O que me mete mais receio é inclinar o corpo todo para fora da ladeira e ter apenas a corda como apoio, dá cá um frio na espinha. É preciso ter alguma força de braços e umas pernas firmes.

O percurso fez-se em quase cinco horas, com imensas pausas nas várias lagoas que existem. A qualidade da água era maravilhosa e até nem estava muito fria – acho que o fato ajudava. Para perceberem melhor o percurso deixo aqui um Croqui do rio que foi elaborado pela desnivel.pt, com o detalhe deste documento consegue-se perceber a dificuldade envolvida na realização deste percurso.

Uma curiosidade engraçada é que encontrei imensas famílias a subirem o rio pelas margens com o objectivo de chegar à lagoa que se encontra lá no topo, a da fotografia, depois de passarem algum tempo nesta começavam a descer e faziam paragens a cada lagoa que encontravam, aproveitando para descansar e se refrescarem. O mais engraçado é que estavam lá miúdos que deviam ter uns sete anos de idade e parecia que se estavam a divertir com os saltos que faziam para a água.

Neste momento, enquanto escrevo, ainda me doem os músculos das pernas ( quadriceps ). Foi uma experiência porreira e quem sabe um dia experimentar novamente noutro sitio mas por agora deixa lá estas dores passam.

Fantasticable

Depois de uma actividade intensa tinha chegado a hora de experimentar o tal falado cabo, a expectativa era alta, tinha em mente que aquilo devia ser uma loucura que nos transportava a velocidades alucinantes – sabia que era no máximo 130km/h.

Depois de uma espera de quase duas horas, que calhou bem para restabelecer forças e comer qualquer coisa, lá chegou a minha vez de descer pelo cabo.

Devidamente equipado sou pendurado no cabo e em breves segundos começa a descida, é muito agradável observar toda a paisagem e desfrutar do momento. Mais ou menos a meio a velocidade começa a diminuir e já se vê a chegada e após uma travagem brusca termina a descida. Não deve demorar mais de um minuto.

Eu na plataforma de chegada

No final fiquei com sensação que tinha as expectativas muito altas, para ser sincero a experiência foi-me totalmente indiferente. Não senti adrenalina nenhuma e até achei chato, a certo ponto. Julgo que se fosse mais rápido, tipo 200km/h ou assim, seria mais interessante.

Na minha opinião pessoal esta actividade está superestimada e não devia merecer tanto alarido, isto por que existem montanhas russas mais básicas que conseguem trazer mais emoção do que esta experiência.

O Parque

Em relação às instalações/serviços que são oferecidos fiquei com um óptima impressão, todo muito limpo e arrumado, até mesmo as casas de banho. A diversidade de actividades é imensa e os preços até não são muito caros, tendo em conta a complexidade de algumas actividades.

Os espaço de restauração está bem equipado e com imenso espaço, a esplanada fica virada para o ponto de chegada do Fantasticable o que por vezes permite aplaudir que chega da viagem no cabo. Uma das vezes que a esplanada se levantou e aplaudiu foi quando uma senhora de 85 anos chegava à plataforma e se virou para a esplanada e levantou os braços em sinal de vitória, segundo consegui apurar era já a segunda vez que o fazia e diz que faz todos os anos.

O que não me agradou muito foi a lentidão dos serviços de bar, os pedidos eram feitos e só passados quase trinta minutos é que o pedido chegava à mesa. Devo dar um pouco de desconto porque era fim-de-semana e eles estavam cheios, mas existem limites e acho que aqui estavam quase a chegar ao limite da paciência dos clientes.

Aconselho a visitarem o parque, as terras circundantes e a desfrutar da natureza que por lá existe, é de uma beleza extraordinária. Vale bem apena a viagem de 5h para quem parte de Lisboa, mas se é para ir a estadia tem de ser no mínimo de três dias 🙂

Sou licenciado em Sistemas de informação na Universidade Lusófona, gosto de tecnologia, programação, desportos radicais, bicicletas e motas. Adoro o Sistema Android e começo a gostar de Linux. E ainda tenho a mania que sei cozinhar.